domingo, 5 de junho de 2011

Ou isso ou aquilo!!! Vivaldi, Handel, Mozart

Bom...
Poesia...
Diversidade cultural as vezes faz pensar que tudo vale como "cultura"...Como diria um filósofo, aluno meu do nono ano: "- Será que vale!!!"
As culturas e sua pluralidade me faziam pensar, antropologicamente, que as "culturas" dos povos eram superiores aos "valores" ou, ao menos, mais "livres".
Coisa como as que vemos hoje na mídia me fazem repensar...Será que, como expressão cultural, tudo vale. Será que os tais "valores" eram realmente posições elitistas; limites para a criatividade, grades para "gênio humano".
Sem muito iluminismo, o gênio humano está expresso em todos os cadernos e programas polícias, em coisas como o funk brasileiro (imagino quais piruetas James Brown daria se o som dos bailes funk chegasse até seu túmulo), programas sociais de manutenção da miséria, crime organizado em governos pretensiosamente desorganizados, etc...
O caso é que, deve haver alguma diferença notável entre isso e aquilo...entre quebra barraco e Vivaldi, Handel, Mozart...
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Por hora, desabafo e vou pensar...


sexta-feira, 3 de junho de 2011

Mais Poesia


E uma locomotiva puxa um trem que se perde na imensidão
somos todos tão pequenos
puxando pensamentos
vivendo nos vãos da vida
uma locomotiva puxa o trem que se perde na multidão
e somos mais ainda pequenos
pequenos pensamentos em vãos
vãos de vida
locomotiva puxa trem que pende na imensidão
pequenos somos vãos da vida
vida locomovida
pende um trem locomotiva que se prende na multidão
multidão locomotiva
vão da vida
locomovidas vão....

(poema alemão dascidades de Alice – 2011)


vejo gente todo dia
vejo gente sendo gente todo dia
vejo o dia todo dia
vejo gente fazendo dia
vejo o dia sendo dia todo dia
mesmo quando chega a tardesinha...

(poema bucólico - 2011)


não sei
não sei não saber muita coisa
não sei não saber aquilo que saibo
não sei se é pouco ou não
não sei se Saibo poderia ser uma cidade na Turquia
não sei, mas a sonoridade muito me agrada.

(parabólico equivocado – 2011)

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Postar ou não postar... ..?

Sou de uma geração que não percebeu diretamente a ditadura militar de 1964, sim, tivemos e temos outras. Nossa geração ouviu falar bastante dela, isso sim. Também ouvimos falar em um mundo melhor que estaria logo ali no futuro, e tudo isso ocorreria quando todos soubessem a verdade. Sempre achei que "eles conhecerão a verdade e a verdade os libertará" fosse uma frase bíblica e não socialista, comunista, ecologista ou sabe-se lá de qual outro "ismo" bonzinho, sorridente e pinpão que estivesse na moda.
Mudar o mundo sempre esteve na moda, sempre tem alguém bonzinho com uma ideia na cabeça. Pena que não muda. Minto, quando muda, muda para pior.
Aquela ilusão de que a ignorância era a causadora final de todos os males, ou que, o autoritarismo e a violência capitulariam perante a "verdade" se mostra, faz tempo, um impropério. Hoje tudo é dito, assumido, publicado, declarado e nada muda. A hiper-potência assume o uso da tortura, escândalos políticos são televisionados, denúncias e contradenúncias, explicações; e simplesmente, como um clique do mouse (adoraria dizer "rato", "disco duro" e não HD) ou o início de uma nova atração na Tv, muda-se de assunto.
Vivemos numa época que as palavras não impetram mais ações, músicas não tem mais mensagens, interpretações, sub-textualidade em suas letras, são apenas canções como pedras são pedras. A pedra de Drumond não fica mais no caminho, a não ser como simples pedra, a causar tropeço a um transeunte desatento.
Michel Foucault estaria errado? efeitos do poder e discurso? Discurso e poder? Microfísica?
Por isso; "postar ou não postar". Tudo é dito, o tempo todo; a boa e velha "cerquilha" # entra na moda como rashtag. Por que? Mas, nada é realmente falado, ruminado.
Pagaremos sacolinhas de plástico e teremos termonucleares, zumbis de Resident Evil ou madrugada dos mortos vivos na cracolândia(de qual cidade? Em todas). De qual País? País?
Bem vindos ao admirável mundo novo...

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Destino Manifesto & Pax Romana

Íntegra da carta enviada ao presidente George W. Bush pelo cardeal arcebispo
Bernard Law de Boston:

"Senhor Presidente:

Conte a verdade ao povo, senhor presidente, sobre terrorismo. Se as ilusões acerca do terrorismo não forem desfeitas, então a ameaça continuará até nos destruir completamente. A verdade é que nenhuma das nossas muitas armas nucleares pode proteger-nos dessas ameaças.Nenhum sistema 'Guerra nas Estrelas' (não importa quão tecnicamente avançado seja, nem quantos trilhões de dólares sejam despejados nele) poderá proteger-nos de uma arma nuclear trazida num barco, avião ou carro alugado.

Nenhuma arma sequer do nosso vasto arsenal, nem um centavo sequer dos US$270 bilhões gastos por ano no chamado "sistema de defesa", pode evitar uma bomba terrorista. Isto é um fato militar. Como tenente-coronel reformado e freqüente conferencista em assuntos de segurança nacional, sempre tenho citado o salmo 33: "Um rei não é salvo pelo seu poderoso exército, assim como um guerreiro não é salvo por sua enorme força".

A reação óbvia é: 'Então o que podemos fazer? Não existe nada que possamos fazer para garantir a segurança do nosso povo? Existe. Mas para entender isso, precisamos saber a verdade sobre a ameaça. Senhor presidente, o senhor não contou a verdade sobre o porquê de sermos alvo do terrorismo, quando explicou porque bombardearíamos o Afeganistão e o Sudão. O senhor disse que somos alvo do terrorismo porque defendemos a democracia, a liberdade e os direitos humanos no mundo...

Que absurdo, senhor presidente!

Somos alvo dos terroristas porque, na maior parte do mundo, o nosso governo defendeu a ditadura, a escravidão e a exploração humana. Somos alvo dos terroristas porque somos odiados. E somos odiados porque o nosso governo fez coisas odiosas.

Em quantos países agentes do nosso governo depuseram líderes eleitos pelos seus povos, substituindo-os por militares ditadores, marionetes desejosas de vender o seu próprio povo a corporações americanas multinacionais?

Fizemos isso no Irã, quando os marines e a CIA depuseram Mossadegh, porque ele tinha a intenção de nacionalizar a indústria do petróleo. Nós substituímo-lo pelo Xá Reza Pahlevi e armamos, treinamos e pagamos a sua odiada guarda nacional, Savak, que escravizou e brutalizou o povo iraniano para proteger o interesse financeiro das nossas companhias de petróleo. Depois disso, será difícil imaginar que existam pessoas no Irã que nos odeiem?

Fizemos isso no Chile. Fizemos isso no Vietnã. Mais recentemente, tentamos faze-lo no Iraque. E, é claro, quantas vezes fizemos isso na Nicarágua e outras repúblicas na América Latina?

Uma vez atrás da outra, temos destituído líderes populares que desejavam que as riquezas da sua terra fossem repartidas pelo povo que as gerou. Nós substituímos-los por tiranos assassinos que venderiam o seu próprio povo para que, mediante o pagamento de vultosas quantias para engordar as suas contas particulares, a riqueza da sua própria terra pudesse ser tomada por similares à Domino Sugar, à United Fruit Company, à Folgers e por aí adiante.

De país em país o nosso governo obstruiu a democracia, sufocou a liberdade e pisou os direitos humanos. É por isso que somos odiados ao redor do mundo. E é por isso que somos alvo dos terroristas.

O povo do Canadá desfruta da liberdade e dos direitos humanos, assim como povo da Noruega e da Suécia. O senhor já ouviu falar de embaixadas canadenses, norueguesas ou suecas a serem bombardeadas? Nós não somos odiados porque praticamos a democracia, a liberdade e os direitos humanos. Nós somos odiados porque o nosso governo nega essas coisas aos povos dos países do terceiro mundo, cujos recursos são cobiçados pelas nossas corporações multinacionais.

Esse ódio que semeamos virou-se contra nós para nos assombrar na forma de terrorismo e, no futuro, terrorismo nuclear. Uma vez dita a verdade sobre porquê da ameaça existir e ter sido entendida, a solução torna-se óbvia.

Nós precisamos mudar as nossas práticas. Livrarmo-nos das nossas armas nucleares (unilateralmente, se necessário) irá melhorar nossa segurança.

Alterar drasticamente a nossa política externa irá assegurá-la.

Em vez de enviar os nossos filhos e filhas ao redor do mundo para matar árabes,para que possamos ter o petróleo que existe sob suas areias, deveríamos mandá-los para reconstruir as suas infraestruturas,fornecer água limpa e alimentar crianças famintas.

Em vez de continuar a matar milhares de crianças iraquianas todos os dias, com as nossas sanções econômicas, deveríamos ajudar os iraquianos a reconstruir suas estações elétricas, as suas estações de tratamento de água, os seus hospitais e todas as outras coisas que destruímos e que os impedimos de reconstruir com as nossas sanções econômicas.

Em vez de treinar terroristas e esquadrões da morte, deveríamos fechar a Escola das Américas. Em vez de sustentar a revolta, a desestabilização, o assassínio e o terror em redor do mundo, deveríamos abolir a CIA e dar o dinheiro gasto por ela a agências de assistência.

Resumindo, deveríamos ser bons em vez de maus. Quem iria tentar deter-nos? Quem iria odiar-nos? Quem iria querer nos bombardear? Essa é a verdade, senhor presidente. É isso que o povo americano precisa ouvir."

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Três poemas chamadas poesias

se uma poesia tem nome é porque,
diferente das pessoas, esse nome faz parte da poesia
não é uma coisa inventada como um implante ou uma inauguração.
se uma poesia tem um nome, diferente das pessoas, o nome da poesia,
é feito da mesma carne delas
esse nome faz parte da pessoa da poesia,

(poema pessoa – 2011)

que saudade, meu deus, da poesia inacabada.
Que medo, meu deus, de escolher palavra errada.
A poesia é como um prédio de arame concreto.

(incompleto – 2011)


quem explica profundamente alguma coisa é por que não entendeu
a explicação é assim...
uma troca,
um sacrifício,
uma imolação da coisa pela razão que explica.

A explicação é uma troca
assim
toda explicação é perversa
pois esconde um não saber
toda explicação odeia a coisa,
pois nunca a explica toda.
Toda explicação odeia não saber, isso por que, teme
toda explicação teme não conhecer.

(Explicação - 2011)